quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Relicário

Nada como abrir um velho baú e mergulhar nas memórias que ele oculta. É como se pudéssemos por alguns instantes nos desprender da realidade que nos cerca e viver o passado outra vez. 

Uma das coisas que a modernidade tem nos roubado é o prazer de ter fotografias reveladas em mãos, envelhecidas com o tempo, feitas com câmeras antigas.

12, 24 ou 36 poses, alguém batia a foto, olhando por aquele buraquinho, e dizia "xis"!

Velhas fotos corroídas também contam uma história. Tem quase que o poder de nos salvar da insanidade, por comprovar que esses momentos realmente existiram.

É como se pudéssemos ouvir de novo aquela música, aquelas vozes, gargalhadas. Sentir aquele cheiro.

Algumas das minhas fotografias preferidas foram tiradas durante esses momentos que pareciam insignificantes demais pra serem registrados e enviados à posteridade, quando restariam apenas imagens congeladas. Estáticas, impenetráveis.

Era apenas mais um dia, como outro qualquer. Mas era tudo.